Antes de o meu filho nascer, era fácil ser organizada. Pelo menos, eu achava. Adorava organizar os meus pertences, a minha casa, as minhas roupas, os meus projetos, os meus documentos. Foi quando me descobri apaixonada por organização. O fato é que, quando ele nasceu, eu descobri qual a importância de manter as atividades humanas básicas em dia. Sério: fazer xixi, tomar um banho decente, me alimentar, DORMIR. Uma mãe, quando o bebê nasce, por mais organizada que seja, vai lá para baixo na pirâmide de Maslow.

A pirâmide de Maslow é uma representação das necessidades humanas. Maslow disse que, quando satisfazemos a base da pirâmide, começamos a subir em busca de satisfação nas outras áreas. O problema é que, quando um bebê nasce, você pode estar na última parte da pirâmide, lá em cimão. Mas é fato que você vai descer para a base, porque é simplesmente fisiológico. E foi ali que eu descobri que a minha organização pessoal (e a da minha casa) mudariam radicalmente. Porque tudo era uma questão de alinhar expectativas. Demorei para entender isso. Me cobrava muito. Mas entendi, e mudei.

Eu também era uma pessoa muito ansiosa. Deus, como sofri com isso. Em algum momento, eu descobri a meditação e o budismo. Comecei a praticar. Isso transformou a minha vida. E sim, também influenciou diretamente na maneira como eu me relacionava com as diversas coisas do meu dia a dia, incluindo os cuidados com a casa e a relação com a minha família.

Percebi que não adiantava eu querer comparar a minha casa com a casa de uma capa de revista. Mesmo revistas mais populares e mais vida real que começaram a surgir naquela época. Mesmo as revistas mais populares têm uma equipe de produção que arruma o ambiente para tirar as fotos da reportagem.

Depois veio a era das youtubers. Vejo pessoas tanto no Brasil quanto lá fora com casas impecavelmente organizadas, lindamente decoradas, parecidas terem saído diretamente do Pinterest. Mas, quando você investiga mais, vê que tem mão de arquiteto, designer de interiores, faxineira ou empregada em casa, além de coisas que podem ser verdadeiras para muitas pessoas (e isso é super ok), mas não é parte da minha realidade. Então por que eu deveria me comparar a elas?

Frequentemente vou em casas de clientes ou amigas, e vejo como cada pessoa, cada família, cada casa tem seu estilo e suas necessidades. Enquanto alguns são acumuladores, outros são minimalistas. Enquanto alguns gostam de receber, outros são mais introspectivos. Então não dá para a gente ficar se sentindo mal porque “não tem uma mesa para oito pessoas na sala de jantar” ou porque “não tem gato em casa”. Essa ansiedade de querer sempre ter coisas que não temos, de repente até para vidas que não temos (e nem queremos viver…) super existe quando se trata da casa. E ela é diferente da vontade de ter a nossa casa do nosso jeito. Opa, isso é excelente e lindamente recomendável! A ansiedade a que me refiro é a de comparar com a do outro. De achar que é mais limpa, mais bem decorada, mais bonita…

Eu adoro olhar fotos no Instagram e no Pinterest para me inspirar. Mas eu também percebi, nesse último ano, que se eu quiser ter uma casa com a minha cara, eu preciso olhar para dentro. Conhecer mais a Thais e trazer mais da Thais para dentro de casa, e não mais de outra pessoa. É conhecer mais o nosso filho e como eu posso trazer toques de decoração e praticidade na casa que o beneficiem. O mesmo vale para o meu marido. Como fazer esta casa, que nós vivemos, ter a nossa cara, não só para a decoração, mas nos atendendo, nos servindo, em termos de praticidade no dia a dia?

A nova energia aqui em casa para o ano novo é justamente a energia do olhar para dentro. Parar de me comparar com os outros e ser feliz com a minha realidade. Será que essa visão pode te ajudar também? Vem comigo.

8 COMMENTS

  1. Sempre inspiradora!
    Ah, e por sinal… Estou implementando o gtd com auxílio da série de vídeos e do livro do David. Obrigada!

  2. Perfeito Thais.
    Estou finalizando a faxina de fim de ano e estou no passo organizar, essa reflexão vai me ajudar a encontrar soluções que sejam úteis para o estilo de vida da minha família.

  3. Excelente Thais! Inspirador! Eu estava refletindo exatamente sobre isso, quando vi seu texto. Pensando em como eu passei 2017 me cobrando e tentando equilibrar todos os “pratinhos”… E a frase perfeita foi: “Uma mãe, quando o bebê nasce, por mais organizada que seja, vai lá para baixo na pirâmide de Maslow.” apesar do meu bebê já ter 3 anos, eu demorei um pouco para entender isso. E justamente por não ter esta consciência, que demorei tanto, por isso essa frase será compartilhada por mim! Rsrs. Muito obrigada!
    Acompanho o seu blog, mais ou menos, a uns 8 anos e sempre encontro fontes de inspirações novas! Com essa leitura vou voltar a focar no que realmente importa. Bjs!

  4. Estou bem nessa fase, sempre fui introspectiva mas depois que casei, parece um fardo, uma obrigação ter de ser sempre receptiva, ainda mais com o que diz respeito à casa. Não curto muito receber visitas e na família do meu esposo há o costume de “dar aquela passadinha” na casa dos outros, e eu me sentia mal por não ter aquela casa super arrumada e receptiva, ou por não ser a perfeita anfitriã.
    Pra 2018, eu tenho como foco me descobrir como pessoa e, principalmente, me aceitar como sou – melhorar sempre, mas aceitar minhas peculiaridades, saber meus defeitos e qualidades e alinhá-los com a vida que eu quero e posso ter, sabe?
    Enfim, adorei o post e espero ter mais como esses. <3

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