Faz muitos anos que eu estou imersa nesse assunto de organização da vida e organização da casa. Em 2012, fiz meu primeiro curso relacionado – uma certificação para me tornar Personal Organizer (profissional que organiza os ambientes de uma casa, e a profissão pode se expandir para outras frentes). Mas eu sempre pensei na organização da casa de uma maneira diferente do que via por aí. E é sobre essa visão que eu gostaria de escrever no post de hoje.

Acredito que a nossa casa seja um santuário. É o lugar onde a gente chega, depois do trabalho, e pensa: “ufa, que bom, estou em casa”. É o lugar que nos acolhe. Onde preparamos as refeições que faremos juntos. Que alimentamos a nossa família. Que convivemos com aqueles que amamos e fazem parte da nossa vida. Que nos dá segurança a ponto de deitarmos em uma cama confortável e conseguir pegar no sono. Que nos permite tomar um banho relaxante depois de um dia de trabalho ou um banho revigorante antes de sair para ir trabalhar. A nossa casa tem a nossa cara. O quadro que traz um sorriso, pendurado na parede. A lembrança que trouxemos de viagem em cima da estante. O jogo de cama na nossa cor preferida.

Com tudo isso, acabamos muitas vezes nem curtindo muito a nossa casa. Quando chegamos nela, nos preocupamos com a bagunça, com a faxina, com a louça que precisa ser lavada. É um lixo que vaza, um copo que quebra, uma comida que queima. A sensação é a de que nossa casa dá trabalho. “Cuidar da casa dá trabalho”, como se ouve tanto por aí. Mas cuidar da casa simplesmente faz parte da vida, assim como cuidar da saúde, dos filhos, da espiritualidade, dos momentos de lazer. Já que simplesmente precisamos fazer isso, que tal mudarmos a nossa atitude para uma atitude de contentamente e gratidão por, pelo menos, termos uma casa para cuidar?

Além disso, nossa casa deve nos servir, e não o contrário. Se todos os momentos que você passa em casa você passa fazendo coisas por obrigação, será que você está curtindo a sua vida?

Tenho muito vívida a imagem da casa da minha bisavó, quando eu era criança. Eu ainda consigo sentir o cheiro de lustra-móveis na sala e o cheiro de comida vindo da cozinha quando se aproximava o horário das refeições. E a casa estava sempre arrumada, com tudo no lugar. Era fácil viver ali. Mas a minha bisavó tinha uma empregada que morava na casa com ela e cuidava de tudo. Minha bisavó cuidava da comida, mas a limpeza e a arrumação da casa ficavam por conta da Célia, que ficou com ela durante muito anos, até ser substituída porque precisou se aposentar.

Na casa da minha avó, o mesmo cenário. Ela também tinha uma faxineira que ia toda semana cuidar do “grosso”.

Na minha casa, a minha mãe trabalhava o dia inteiro. Eu nunca precisei cuidar da limpeza e da comida. Hoje sei como foi um privilégio. Mesmo trabalhando fora, minha mãe sempre cuidou de tudo. E a última coisa que eu lembro da nossa casa, quando eu era criança, era da limpeza. Não tínhamos empregada ou faxineira. Talvez eu não me lembre da limpeza porque não era o foco em questão. Eu lembro de outras coisas. Mas eu tenho certeza que a minha mãe nunca ficou preocupada com a poeira no rack da tv, mas sim em saber se eu teria comida no dia seguinte para almoçar. Tudo é questão de prioridades.

E onde eu quero chegar contando essa história? Quero dizer que, hoje, mais do que nos anos 1980, em que minha mãe trabalhava o dia inteiro, as mulheres trabalham em muito mais quantidade. Antes não era comum – hoje é. E o que temos? Casas, apartamentos, em que as pessoas ficam durante poucas horas por dia (acordados – e o restante da noite, dormindo). Muitas vezes, têm-se faxineiras para manter um apartamento impecável que quase ninguém usa. Jogos de talheres e mesas de oito lugares para jantares que nunca acontecem. Precisamos repensar os espaços e a nossa relação com a casa. Em residências cada vez menores, não podemos nos dar ao luxo de desperdiçar espaços. Precisamos dar vida a eles.

Cuidar da casa pode ser sim prazeroso, e o primeiro passo para isso é diminuir as expectativas. Eu não espero ter uma casa impecavelmente limpa e arrumada o tempo todo porque minha prioridade é ter uma casa viva, alegre, harmoniosa. Que reflita quem eu sou, quem a minha família é, e o que gostamos de fazer quando estamos juntos. Repensei o sentido de posse, de “querer ter as coisas” em casa, sair comprando. Nossa casa serve para a gente viver, não para armazenar coisas. Mais do que pensar em minimalismo, é descobrir o que é essencial para cada um.

Por diminuir as expectativas e não querer nem esperar uma casa de capa de revista, eu organizo os meus afazeres domésticos como organizo todo o resto. Feito é melhor que o perfeito não feito. Então, para mim, se algo está sujo, eu limpo. Verifico o que é essencial fazer todos os dias, para manter a casa funcionando bem, e faço. Dividimos as atividades por aqui também. Mas, sobre a nossa dinâmica, deixarei para outro post, para poder escrever melhor sobre esse assunto, que é amplo.

O que eu quero passar para você, leitor, ao ler este post, é o sentimento de gratidão e contentamento pela sua casa. De que não existem regras impostas. De que nem sempre sábado é o dia da faxina. A gente precisa repensar a nossa relação com as coisas, especialmente com relação ao ambiente que vivemos diariamente. E essa relação tem que ser prazerosa como todas as outras. Espero que este blog te ajude a trazer isso para a sua vida.

10 COMMENTS

  1. Ola Thais!
    Acabei de assistir sua live no YouTube,e nao canso de repetir o qt te admiro…
    Tenho seus 2 livros e a acompanho a 6 anos e ainda nao atingi o nivel de tranquilidade e coerência que espero mas ja sinto uma diferença enorme em minhas atitudes e forma de pensar em termos de organização…e devo isso ao seu trabalho muito obrigada!

    PS: fiz um comentário na live sobre organização para adolescentes e fiquei muito feliz com sua resposta!

  2. Oi Thais!!!!!, te acompanho desde 2015, estou adorando teus conteúdos do Youtube e agora com este novo blog!!, achei demais!!. Só tenho a agradecer por tantas informações interessantes e te desejo saúde, sucesso em tudo! Muito obrigada messsmo!!

  3. Amei a mudança.Organizaçào da casa e economia doméstica são assuntos que me interessam bastante.
    Parabéns pelos conteúdos!

  4. Thaís, querida, não posso deixar de te dizer o quanto admiro seu trabalho… Parei pra pensar agora e percebi que teu blog vida organizada é o único que venho acompanhando ininterruptamente nos últimos cinco anos, e o estilo que você vem imprimindo nos seus escritos em geral estão me empolgando demais… Parabéns pelo crescimento no teu trabalho… Desejo tudo de bom e agradeço pelo teu empenho em compartilhar conosco tantas coisas legais!

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